domingo, 7 de agosto de 2011

Rasgo de papel sobre curiosidade que desperta.

Num rasgo de papel e de rascunho traçado na mente escrevi num traço inseguro o que  escapou à força e curiosidade do meu olhar por um tempo infinito – pergunto-me, quem és e que força se esconde para além da orla fina da imagem que deixas impressa no ar?

Agosto 2067

Sol Mata Lua.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

.snaelrO weN

(Para alguém que não sei se existe para além dos limites da minha cabeça… redundâncias em torno de um Bairro Francês)

Tens a intensidade de um final de tarde vivido e sentido em New Orleans.
Os sons entranhados de soul a retombar em cada melodia…
As fragrâncias de especiarias que aromatizam a humidade no ar…
O calor a traduzir na pele a textura das vontades da alma, no corpo…
O amargor do álcool cortado pelo paladar de uma dulcificada boca alheia…
A cor rubra da noite a manchar gradualmente o horizonte, criando expectativa…

New Orleans… Apenas, New Orleans.

Como posso eu desejar ser abraçado por algo tão grandioso e violento?
Talvez não deva deixar respirar esta ilusão para além dos limites raianos da minha imaginação.

Que se foda New Orleans que se foda o Bairro Francês!
Terei sempre New-York, terei sempre o Harlem!
Girona
Julho 1945
Sol Mata Lua.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O meU portO de abrigO.

Preciso que o Sol brilhe mais e mais alto no pico da torre do porto de abrigo que há em mim. Quero senti-lo estalar-me a pele de calor, para depois me refrescar de corpo e alma nas águas da foz deste rio de Ouro e Laranjas que carrego no peito.

Além Lagoa.JPG

Out. 2010
Sol Mata Lua.

dedicadO à luZ e a uM sorrisO quE respireI numA fotografiA.

Há dias em te saem papoilas pelas mãos fora e levantas os braços e atiças o mundo com a tua fragrância - no entanto, distintos são aqueles (dias) em que te limitas a guardar os dedos atrás das costas e de olhos fechados ergues a cabeça em direcção ao sol na expectativa de que outros, mais e muitos aromas, te elevem a mente e, num sorriso que se esboça, transportem a imaginação para longe...


A luz que se respira numa fotografia... é um cheiro que permanece em cada fotograma.

Set. 2010
Sol Mata Lua.

AtÉ maiS veR.

Abri o peito como um livro e dele rasguei página ante página fragmentos de pele, folhas desta história timbrada a  óxidos do ferro e argila, na vontade de esquecer o que a noite esconde para lá do olhar - Vi diluir a tinta da casca de mim mesmo no negro lavado de chuva do asfalto e de gazua falsamente empunhada na mão tranquei o livro... até mais ver.
orangeS.. (2).JPG

orangeS...JPG
Maio 2010
Sol Mata Lua.

InflexãO reflexA.

Correntes que se querem capazes de ancorar a atenção de quem queremos cativar ao lastro do nosso bote, que à deriva se anuncia em picos de onda e desliza ao mais profundo azul, sobre imagens descoladas de portas de frigorífico - proclamando delírio da toma da hóstia carnal, em fragmentos de sons ilusórios, na escuridão da mão que se estica sem assinalar a dádiva das palavras... poucas e parcas, na razão de quem se quer dar a conhecer.
Vou e venho como as andarilhantes e anunciadas ondas do mar que nos escapam por ter os pés alicerçados em terra firme na demanda da ilusão que se quer real.
Porque não trocar as correntes, as imagens e os sons por palavras? Porque não trocar os interesses pelos saberes? Porque não procurar...?
feijoeirO parabólicO - recepçãO dE canaiS codificadoS intrA galácticoS..JPG
Maio 2010
Sol Mata Lua.

NO centrO dO tempO.

No centro, estátuas de divindades metamorfoseadas aparentemente imóveis. Em círculos em seu redor o tempo avança lentamente. Quão mais distante se encontra das divindades, mais rapidamente o tempo avança – círculo após círculo, fracção de segundo após fracção de segundo, o tempo adianta-se à razão e tudo se torna mais rápido e fugaz.
Nas ruas, a divindade estava em si e o poder de parar o tempo acompanhava-o passo após passo. Sem caminhar mais um centímetro que fosse – parou. Libertou do peito a mala que carregava a tiracolo, repleta de preocupações e papéis que o prendiam a um mundo rápido de consumo, alheio à razão da existência.
Sem desistir, desprendeu os braços de movimentos autómatos e deixando-os pender ao longo do corpo – observou o mundo que o rodeava. As pessoas, os carros, as luzes de néon. Fechou os olhos, ergueu os braços e escutou. Motores, murmúrios de gente que passa, pregões e a ligeira brisa que arrasta o lixo no chão.
Abriu os braços ao céus, libertou o corpo e vestiu a sua divindade – o tempo parou… em círculos em seu redor o mundo era rápido – mas ao centro de si apenas imperava o marfim parado do tempo.
Os sons aumentaram de volume, as luzes iluminaram a presença de um par de olhos fechados… depois, o silêncio.

A chuva começou a cair e enquanto em seu redor todos corriam para se abrigar, no centro da rua todo ficou imóvel.
Sozinho, sentiu lentamente cada gota de chuva demorar mil e um anos a descer até lhe tocar na pele. Lentamente o céu desfez-se em transparente líquido e uma após uma, cada gota de céu lavou-lhe o corpo e a alma parada – quedou-se no centro da rua, no centro do tempo, no centro de si.
.*eert gif eht yb htuom s'tac a ni kcenyrW naisaruE«
2010
Sol Mata Lua.