Profanou o sagrado deslizando por entre as grades, deixando o portão intacto à sua presença - do lado de fora o homem, do lado de dentro apenas um ser e os seus sentidos...
Um Plátano sedia ao adro da igreja toda a sua copa e toda a sua fragrância. Na sua sombra as gotas de chuva eram mais espaçadas e grossas e o cheiro a terra e verde mais intenso.
Abraçou-o e segredou-lhe um tesouro que enraizou com as mãos na fina fronteira de húmus e folhas caídas que cobriam o regaço da árvore centenária - era um segredo de partilha de sons e pedaços de cobre.
Ao longe murmúrios de gente que passava sem dar pela sua presença...
Encostou o corpo ao fálico pelourinho que ladeando o Plátano fazia frente à porta da igreja... Acendeu um cigarro... A pedra do isqueiro estalou iluminando o breu.
No tempo que durou aquele travo de nicotina, recordou tempos idos e vividos naquele lugar… O mesmo Plátano, o mesmo pelourinho, a mesma igreja, num adro de memórias em iniciáticas tardes de Setembro à 2511 anos atrás… Segredos contados ao tronco e às raízes… suspiros, desejos e esperanças despontando no verde, no laranja no vermelho rubro de cada folha…
Lavou o rosto na água da chuva e partiu.
.lamina onier od megaugnil a ralaf ratnet a ,ortuo o e ele ,uE ««
Nov. 2009Sol Mata Lua.
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